quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Arezzo sentiu na pele.

Sabe como é feito? Dão um choque no animal, normalmente no ânus, para ele ficar quieto; penduram ele de cabeça para baixo, fazem cortes nas extremidades para não estragar a pele, e puxam toda a pele do bicho. Chocante, não?


Qual não foi a minha surpresa quando vi no domingo, às 19:14h, as primeiras manifestações no Twitter contra o uso de pele animal pela Arezzo. Fui no site ver do que se tratava, e lá vi uma coleção recheada de peles exóticas, raposas e coelhos, chamada de Pelemania. Por ser vegetariana e defender os animais, fiquei indignada, e fui no perfil da Arezzo no Facebook reclamar também, assim como várias pessoas, vegetarianas, carnívoras, onívoras...

(Aqui nessa mesa de administradores, tenho que deixar meu lado ativista vegetariano de lado, até porque eu não sou contra as pessoas comerem carne e usarem couro, só não gosto de pensar na hipótese de depelar um animal vivo, porque é dessa forma que eles obtém uma pelagem bonita para comercialização.)

Mas, do ponto de vista de uma pessoa que adora marketing, observei alguns erros que (talvez) causaram essa polêmica. Veja:

1) Eles comentaram em nota no site que: "Um dos nossos principais compromissos é oferecer as tendências de moda de forma ágil...". Tão ágil que não deu tempo nem de fazer uma pesquisa básica de mercado? Isso é fundamental! Se tivessem se importado realmente com pesquisas de mercado, com certeza teriam visto a rejeição do público.

2) Tem gente que acha que tudo isso foi estratégia de marketing. Se procuraram fazer um viral, poderiam ter usado outra polêmica. Essa de animais atinge o cerne dos sentimentos, mexe no intangível, na alma. Para muitas pessoas é um princípio não maltratar animais. Se quer fazer viral, escolha outra coisa que cause burburinho, ou as consequências serão desastrosas, e as empresas vão ter que trabalhar muito mais para apagar uma imagem negativa. Uma dica: façam que nem a Devassa, que contratou a Sandy para fazer comercial. (hehe)

3) O uso de pele, como a Arezzo comentou em nota divulgada na internet, é legal, certificada, regularmentada, etc etc. Mas, atualmente, as pessoas procuram produtos e empresas que tenham ações sociais, ambientais, enfim, a empresa tem que mostrar que possui sensibilidade. Não há sensibilidade em arrancar a pele de uma raposa viva, já que só assim obtém-se uma pelagem bonita. As pessoas ficam chocadas com isso, até porque talvez a raposa se assemelhe muito com o cachorrinho que eles possuem dentro de casa e que é tratado como membro da família...

4) Eles foram contra a maré. Até Channel está usando pele sintética, além de outras marcas famosas, internacionais e chiquérrimas como Armani e Miu Miu. Hoje em dia a produção de pele fake, como é chamada, é super moderna, as peças produzidas se parecem muito com peças naturais. Foi-se a época em que pele sintética tinha cara de tecido de bichinho de pelúcia. Agora, as empresas que importam esse tipo de material tem até dificuldade em comprovar para a alfândega que aquela pele é fake.

5) O que mais prejudicou a Arezzo foi o poder das redes sociais. Aliás, sentiram na pele a indignação do povo. Não levam a sério quando Kotler diz que as empresas vão cair por terra por conta das redes sociais? É isso que acontece. As empresas precisam começar a se preocupar com os clientes que estão em Orkuts, Facebooks, e Twitters da vida. Não parece, eles estão lá para falar com amigos, mas também estão de olho nas empresas. Um erro de alguma organização, e é causado o estrago: em questão de minutos, o assunto se torna o mais comentado da rede. Primeiro foi a Brastemp que "apanhou" no Twitter. Agora, Arezzo. Ao meu ver, parece que as grandes empresas não estão dando a devida importância para algo que possui um poder tão grande. Vão acabar descobrindo na prática como as redes sociais podem ser o inferno para eles.
As empresas precisam usar as redes sociais como aliados. Vão lá, mexam, fucem nos grupos e comunidades, pesquisem o comportamento do público. Eles deixam muitas pistas do que gostam, do que não gostam, do que querem.

OBS.: Demorei um pouco para postar sobre isso, porque fiquei esperando para ver o que o Diretor da Arezzo iria falar. Ele não disse nada demais, disse algo como "Tirei as peças do mercado porque não vale à pena ficar brigando com o povo", e não disse o que a Arezzo faria com as peças recolhidas. Aliás, acho que eles não sabem o que fazer com as peças de peles, e estão morrendo de medo de fazer outra coisa errada.

Só espero que eles tenham mais cuidado ao criar a próxima coleção.

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